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Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Imbróglios internacionais sem grande graça

A Rússia é aliada do Irão (e da China e da Coreia do Norte). Apoiam-se uns aos outros. Donald Trump é aliado objectivo da Rússia no que respeita à subjugação da Ucrânia (e não só). Mas, aparentemente, não no que respeita ao Irão, um dos aliados da Rússia. Ao atacar o Irão, principalmente por interesse de Israel, Trump confronta indirectamente a Rússia. A pressão de Moscovo para que a guerra no Irão não prossiga já se faz, entretanto, sentir e a mão do Kremlin nas respostas de Teerão também. Certo é que, neste momento, os bombardeamentos pararam e os bloqueios estão congelados (o que não interessa nada à China, nem a Israel). É evidente que a Rússia está a beneficiar com o bloqueio à exportação de petróleo e gás do Golfo, caso contrário já teria forçado um desbloqueio. Cinismo, um condimento indispensável neste jogo.

O que resta saber? Resta saber como vai o Trump sair desta, se não quiser perder ainda mais popularidade “em casa” (havendo sempre a hipótese de arranjar maneira de não realizar eleições intercalares – ou outras, enterrando de vez a democracia).

Os iranianos têm todo o interesse em que o ocupante da casa Branca saia de cena o mais rapidamente possível. Ou tinham até agora (vamos ver o que os russos conseguem fazer à mioleira do agente laranja, em contraponto com os israelitas e os amigos e familiares judeus de Trump). Mas os russos têm o máximo interesse em que Trump por lá continue, agora que conseguiram a vitória máxima de o instalar e de assumir o controlo da Casa Branca (um enredo digno do mais ousado thriller político). Ainda iremos ver o Irão a elogiar Trump? Não perca as cenas dos próximos capítulos. Em termos práticos, para o resto do mundo, este filme não é entretenimento.

Isto tem um nome, aliás vários

«Na sua intervenção, voltou a alertar para o problema da sustentabilidade da segurança social que considerou ninguém querer enfrentar, para as dificuldades de integração de muitos imigrantes - que vivem "em servidão" em Portugal - e a criticar o atual modelo de IRS jovem, que classificou como "iníquo", deixando um conselho para que os mais novos tomem conta do seu futuro se querem mudanças reais no país.

"A malta que está na política não tratará. Conheço-os todos. A maior parte da malta que está na política quer estar lá. Quer fazer como o dr. António Costa, gerir o dia-a-dia. Arranjar empregos para os amigos. Colocar os apoiantes. Controlar. Mandar, ser obedecido. Porquê? Porque essa é a natureza do poder", considerou.»

Passos Coelho´

Com Cavaco foi muito pior, no discurso solene da tomada de posse, em 2011. Com Passos foi apenas numa instituição de ensino superior; coisa rasca, portanto. Onde ambos estão em perfeita sintonia é na hipocrisia gongórica com que atacam a classe política que lhes deu tudo, de que se serviram, que fruíram até ao limite das suas possibilidades. E no sonso, cínico, populista apelo aos “jovens” para se levantarem e tomarem a Bastilha (ou será a pastilha?) com a sua pureza. A mesma pureza que Cavaco e Passos ostentam, irradiam, quando chicoteiam a malandragem que só quer mandar para oferecer cargos aos amigos. Como o Dr. António Costa, explicou pedagógico o Pedro. Ou Sócrates, diria Aníbal, o mentiroso (o Sócrates, jamais o Aníbal).

Estes números de circo são, sob qualquer ângulo de análise, paradoxais? Sim, mano, mas não só. Também são caixas de Petri da decadência da direita portuguesa. Que começou em Cavaco, com a sua primeira maioria absoluta, e teve em Passos Coelho o seu apogeu. Apogeu provisório, claro. Estes amigos são capazes de ainda bem pior.

Revolution through evolution

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Why Voting ‘Neither’ Could Harm American Democracy
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AI swarms could hijack democracy without anyone noticing
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Dominguice

Em 2009, Lopes da Mota, então procurador-geral adjunto e presidente do Eurojust, perante uma cagada que se arrastava sem evolução chamada caso Freeport, e face à necessidade de coordenação com as autoridades inglesas envolvidas na investigação, pediu celeridade aos dois procuradores titulares do processo. Estes, especialmente por causa do ambiente político golpista em 2009, criaram um caso que explodiu sensacionalmente e foi explorado até ao tutano. Lopes da Mota acabou castigado com uma suspensão de 30 dias. O Freeport viria a ser arquivado só quando se decidiu lançar a Operação Marquês, em 2012. Tomando esse episódio como referência, se a direita tivesse um Governo de maioria absoluta a cair por causa de um parágrafo feito a mielas entre uma procuradora-geral e um Presidente de esquerda, se visse um juiz a ser perseguido, espiado e ameaçado por ter resistido à pressão para linchar uma figura grada do PSD, e se estivesse na oposição quando se tornasse público o relatório do DCIAP conhecido há dias, haveria corte de estradas e distribuição de mocas de Rio Maior.

O Ministério Público não é apenas uma instituição que alberga criminosos entre os seus efectivos, é também uma entidade que permite acções criminosas que põem em causa a segurança de instituições, empresas e cidadãos. Um juiz autoriza uma escuta, e há juízes que autorizam tudo o que o Ministério Público pede, e depois deixa de haver controlo sobre a mesma. Entretanto, pessoal que não devia ter acesso a processos continua a poder escarafunchar à-vontadex. Até para quem só conheça o mundo através dos Livros da Anita esta realidade é desvairadamente grave, perigosa e totalitária.

Uma cabeça doente

Vale a pena ouvir isto: Os Vassalos não estão no PS por acaso

O título é auto-explicativo. Alberto Gonçalves explora o episódio de Nélson Vassalo, que o levou a ficar em prisão preventiva, na perspectiva em que se trata de um militante do PS. E nesse exercício concentra-se em declarar que o PS atrai terroristas porque é um partido da extrema-esquerda, e a extrema-esquerda é terrorista. Termina a apelar à ilegalização do PS.

Não vale a pena fazer a lista das violações constitucionais, penais e deontológicas que a peça materializa. Vale a pena é recuperar a passagem em que o Gonçalves afirma que o Nélson tem “uma cabeça doente”. Porque, vai na volta, é capaz de ter razão. Há muitas cabeças doentes, tantas que nem sequer dá para contar. Do que se sabe do seu acto e declarações a respeito, parece altamente provável que a dimensão psiquiátrica seja mais relevante do que a ideológica ou política. Um dia se saberá, ou nunca.

Mas que dizer do Gonçalves? Seria justo, meramente adequado, desconfiar que tem uma cabeça doente? O febril e senil apelo ao ódio, o enésimo, contra o PS será motivo de alarme ou, nas imortais palavras do Zé Manel Fernandes, é tão-só a arte de “um dos colunistas mais originais e estimulantes do país”, “que é também um dos mais lidos”, sendo que “as pessoas que por vezes nos incomodam com as suas opiniões são também aquelas que nos desafiam a reflectir e a questionar certezas fáceis”?

O Observador está cheio de cabeças que não detectam na cabeça do Gonçalves patologia alguma. Não deve ser por acaso.

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